Mudanças entre as edições de "Cambuí e o pecado"
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Proibido 65% 37% 56% | Proibido 65% 37% 56% | ||
Permitido para maiores 23% 52% 39% | Permitido para maiores 23% 52% 39% | ||
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Sim 76% 62% 83% | Sim 76% 62% 83% | ||
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'''25 - A ciência afasta as pessoas da religião?''' | '''25 - A ciência afasta as pessoas da religião?''' | ||
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Sim 26% 27% 32% | Sim 26% 27% 32% | ||
Não 73% 73% 66% | Não 73% 73% 66% | ||
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'''26 - Com qual destas frases concorda? A mulher que se prostitui:''' | '''26 - Com qual destas frases concorda? A mulher que se prostitui:''' | ||
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É pecadora única e responsável pelo pecado 44% 19% 52% | É pecadora única e responsável pelo pecado 44% 19% 52% | ||
É pecadora, mas não a única responsável 26% 47% 16% | É pecadora, mas não a única responsável 26% 47% 16% | ||
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'''27 - Qual destas frases acha certa? A mulher que mantém relações sexuais pré-matrimoniais:''' | '''27 - Qual destas frases acha certa? A mulher que mantém relações sexuais pré-matrimoniais:''' | ||
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Comete pecado se busca apenas o prazer 9% 9% 9% | Comete pecado se busca apenas o prazer 9% 9% 9% | ||
Comete pecado em qualquer hipótese 40% 30% 54% | Comete pecado em qualquer hipótese 40% 30% 54% | ||
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'''28 - Qual destes pecados ofendem mais a Deus?''' | '''28 - Qual destes pecados ofendem mais a Deus?''' | ||
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Inveja 41% 30% 23% | Inveja 41% 30% 23% | ||
Orgulho 24% 21% 42% | Orgulho 24% 21% 42% |
Edição atual tal como às 16h38min de 8 de janeiro de 2016
Revista Realidade, nº 26, maio, 1968, Editora Abril, São Paulo, págs. 139-146.
Índice
[ocultar]Como os brasileiros veem o pecado[editar]
Trezentos brasileiros — todos católicos, ou pelo menos assim se considerando — , cem de São Paulo, cem da Guanabara e cem da cidade mineira de Cambuí (4 mil habitantes), foram entrevistados. Suas opiniões, atitudes e julgamentos constituem a substância desta pesquisa sobre pecado. Das pessoas ouvidas, 150 homens e 150 mulheres, 182 estão na faixa de 18 a 34 anos de idade; 118 têm 35 anos ou mais. Também 118 são os solteiros; 168 casados; há 9 viúvos e 4 desquitados Fizeram curso primário 136 dos entrevistados; 129 fizeram ginásio e colégio; 28 — dos quais 25 cariocas — chegaram à Universidade. Quatro não sabem ler ou escrever; e três, que sabem, nunca foram à escola. Detalhe importante; os cariocas são de Copacabana, os paulistas de um bairro operário. Os questionários foram aplicados pelo INESE — Instituto de Estudos Sociais e Econômicos. O sociólogo Luiz Weis elaborou a pesquisa e analisou os resultados.
1 — O senhor vai à missa?
São Paulo Rio Cambuí Sim 82% 76% 88% Não 18% 24% 12%
2 — Com que frequência?
São Paulo Rio Cambuí Algumas vezes na semana 3% 4% 1% Todos os domingos 21% 30% 41% Alguns domingos 23% 18% 27% Raramente 35% 24% 19% Não vai à missa 18% 24% 12%
A frequência de idas a missa ê menor aparentemente sugere a alta porcentagem de respostas sim à pergunta 1. Porque as alternativas da pergunta 2 (algumas vezes por semana, todos os domingos, alguns domingos), de um lado, e raramente, não vai, de outro) mostram que 47% de paulistas e 52% de cariocas comparecem aos ofícios com certa regularidade – e não 88% e 76%. A mesma diferença aparece em Cambuí, onde 60% iriam à missa, e não os 88% da pergunta 1.
3 – Vai à igreja, fora do horário de missas, para rezar sozinho?
São Paulo Rio Cambuí Sim 69% 64% 64% Não 31% 36% 36%
4 — Quando?
São Paulo Rio Cambuí Frequentemente 26% 25% 25% Sempre que precisa resolver algum problema 8% 6% 5% Raramente 35% 33% 34% Não vai fora do horário de missa 31% 36% 36%
Vai-se mais à missa do que rezar em solidão, principalmente em Cambuí. E, nas três cidades, as mulheres (80%, 82% e 72%), bem mais dos homens (58%, 82% e 56%), preferem ir à igreja nos horários de missa; É baixo o número de fiéis que buscam o templo sempre que precisam resolver algum problema. Dos que vão frequentemente em São Paulo, 34% são mulheres, 18% homens. No Rio, a diferença entre os sexos é de 46% contra apenas 4%. O padrão se repete em Cambuí: 30% mulheres, 20% homens.
5 — Quando se confessou pela última vez?
São Paulo Rio Cambuí Há menos de 6 meses 30% 23% 38% Entre 6 meses e 1 ano 16% 16% 13% Entre 1 e 5 anos 38% 36% 27% Há mais de 5 anos 25% 22% 20% Não sabe - - - Nunca se confessou 1% 3% 1%
A prática da confissão esta mais viva em Cambuí do que em São Paulo e em São Paulo mais do que no Rio. Nessas duas últimas cidades às mulheres se confessam com maior frequência que os homens. Em Cambuí porém, a diferença entre os sexos é menos acentuada Jovens e velhos pouco se distinguem em São Paulo e no município mineiro. Já no Rio, as pessoas com 35 anos ou mais costumam confessar-se mais que os jovens. Entretanto, à medida que a idade avança, a confissão declina: 39% dos mais velhos em São Paulo e Cambuí e 24% no Rio confessaram-se pela última vez há cinco anos ou mais.
6 - "Uma pessoa pode não frequentar a igreja e ser bom bom católico."
São Paulo Rio Cambuí Concorda 77% 80% 73% Discorda 21% 19% 26% Não sabe 2% 1% 1%
Geralmente, os homens tendem mais que as mulheres a concordar com a frase. Contudo, é mínima a diferença entre ambos os grupos: 4%.
7 – Costuma conversar sobre o tema “pecado”?
São Paulo Rio Cambuí Sim 50% 44% 57% Não 50% 56% 43%
Os jovens falam muito pouco dele com as suas namoradas[editar]
8 - Quando?
São Paulo Rio Cambuí Frequentemente 11% 9% 10% De vez em quando 25% 20% 32% Raramente 14% 12% 15% Não conversa 50% 59% 43%
As respostas positivas a pergunta 7 perdem força Ao serem confrontadas conjuntos da questão seguinte. De fato, 64% dos paulistas raramente conversam sobre o pecado ou nunca o fazem. Essa porcentagem sobe a 71 no Rio, mas cai bastante em Cambuí: 58.
9 - Com quem conversa?
São Paulo Rio Cambuí Com esposa (marido) 21% 11% 25% Com os filhos 18% 12% 15% Com a noiva (noivo) 2% 4% 3% Com amigos 27% 25% 38% Com colegas de trabalho/estudos 25% 16% 20% Só com o padre 1% 1% 2% Com outros membros da família 8% 3% 14% Outras respostas 5% - - Não conversa 50% 59% 43% Observação: respostas múltiplas, total superior a 100%.
Em 182 entrevistados, cujas idades variam 18 a 34 anos - faixa em que a proporção dos solteiros é alta - somente 9 concluíram o pecado com o tema de suas conversas com as namoradas ou noivas. Em São Paulo e em Cambuí cabe principalmente o pai levantar o assunto perante os filhos. No Rio, entretanto, o quadro é radicalmente oposto: em 10 entre 12 casos, a iniciativa foi tomada pelas mães.
10 - Por que não costuma conversar sobre o tema pecado?
São Paulo Rio Cambuí É assunto ultrapassado 12% 17% 9% É assunto íntimo 48% 47% 44% Os outros achariam graça 4% - - Os outros não dariam atenção 6% 14% 12% Não teria a dizer 32% 19% 33% Outras respostas - 3% 2%
Dos entrevistados com 35 anos ou mais, apenas dois (de São Paulo) mencionaram a alternativa assunto ultrapassado, quantos 18 jovens, entre eles entre eles 10 cariocas. Foram também os moços (13 deles) que se lembraram de indicar que os outros vão dar atenção. Não teria nada a dizer sobre o pecado 23 mulheres 18 homens. A tese de que se trata de assunto íntimo é defendida principalmente pelos homens do Rio e de Cambuí e pelas mulheres de São Paulo.
11 - "Hoje no Brasil as pessoas se preocupam com pecado menos do que deveria". Concorda com essa afirmação?
São Paulo Rio Cambuí Sim 77% 72% 68% Não 23% 27% 31% Não sabe - 1% 1%
12 - Por que?
São Paulo Rio Cambuí Falta de educação religiosa 47% 44% 41% Moralidade baixa 27% 22% 16% Influência do comunismo - 1% 1% Aumento do saber científico 14% 15% 12% A nova orientação da Igreja não dá importância ao pecado 12% 15% 21% Não sabe - - 9%
A opinião de que os católicos brasileiros pouco se preocupam com o pecado é mais difundida entre os grupos dos velhos nas três cidades pesquisadas. No Rio, mais entre as mulheres (80%) do que pensam os homens (64%). Somente duas pessoas - uma carioca de mais de 35 anos e um cambuiense da mesma faixa de idade - apontam como causa a influência do comunismo.
13 - As noções de céu e inferno são:
São Paulo Rio Cambuí Verdadeiras 66% 55% 60% Falsas 34% 43% 35% Não sabe - 2% 5%
14 - Qual dessas frases está de acordo? Céu e inferno são noções::
São Paulo Rio Cambuí Falsas, mas ajudam as pessoas simples a aceitarem a religião 11% 20% 6% Falsas, mas ajudam as crianças a serem bem comportadas 12% 7% 13% Falsas e não deveriam ser transmitidas 11% 16% 16% Verdadeiras 66% 55% 60% Não sabe - 2% 5%
O ceticismo e a dúvida manifestam-se acima de tudo entre os homens de Cambuí 42% dos quase certo que o céu inferno soluções falsas e 8% não se definiram, totalizando assim metade da população católica masculina entrevistada no pequeno município mineiro contra 34% de incrédulos - apesar de considerarem católicos - paulistas e cariocas. Já as mulheres de Cambuí pensam diferente: em cada 10, 7 acreditam que os conceitos são verdadeiros. As cariocas estão divididas: 52% das respostas positivas, 48% negativas. Em São Paulo, bairro operário, são os jovens e não os velhos que mais acreditam no céu e no inferno
15- É pecado?
São Paulo Rio Cambuí Votar em candidatos ateus Sim 26% 18% 40% Não 67% 78% 55% Não sabe 5% 4% 5% Contar piada sobre religião Sim 64% 44% 65% Não 36% 55% 33% Não sabe - 1% 2% Emprestar dinheiro a juros altos Sim 51% 35% 52% Não 43% 57% 42% Não sabe 6% 8% 6% Usar minissaia Sim 39% 21% 35% Não 61% 75% 59% Não sabe - 4% 6% Não se interessar pela política Sim 6% 4% 2% Não 92% 91% 94% Não sabe 2% 5% 4% Deixar de pagar impostos Sim 34% 26% 35% Não 62% 68% 59% Não sabe 4% 6% 6% Ser a favor do divórcio Sim 28% 15% 45% Não 69% 78% 52% Não sabe 3% 7% 3% Participar de uma greve Sim 13% 8% 19% Não 84% 83% 74% Não sabe 3% 9% 7% Masturbar-se Sim 44% 47% 37% Não 52% 43% 29% Não sabe 4% 10% 34%
Em Cambuí, 56% das mulheres (contra 24% dos homem) não votariam em candidatos ateus para não pecar. Só no Rio contar piadas sobre religião deixou de ser considerado pecado pela maioria. O carioca também não vê pecado em emprestar dinheiro a juros altos, pratica mais condenada pelos paulistas e cambuienses, contra a opinião das respectivas populações femininas. Em São Paulo, no Rio e em Cambuí, mais mulheres que homens tendem a associar minissaia a pecado, Posição contrária é a dos jovens, principalmente os cariocas (80%), para os quais minissaia não está associada a sentido pecaminoso. Independente da idade, os paulistas e os cariocas são os que em maior número separam pecado da sonegação de impostos, assim como o fazem 7 em cada 10 jovens de Cambuí. Ser a favor do divórcio não é pecado para a maioria. A masturbação é o item que provoca maiores dúvidas, sobre¬tudo entre as mulheres de Cambuí, 44% das quais não souberam responder. Das três populações femininas, aliás, só a de São Paulo não identifica masturbação com pecado. Quanto aos grupos de idade, há uma constante; em todas as amostras, os mais jovens (não é pecado) diferem dos mais velhos (é pecado).
As mulheres estão a favor do controle de natalidade[editar]
16 - Há pouco tempo, um médico trocou o coração de um doente, que consentiu na operação. Como católico sente que:
São Paulo Rio Cambuí O médico cometeu um grave pecado 2% 3% 1% Médico e paciente pecaram 5% 6% - Só o paciente pecou, porque consentiu 5% - 1% Não houve pecado, porque o paciente parou 5% 4% 5% Não houve pecado 80% 85% 86% Não sabe 3% 2% 7%
17 - Comete pecado o casal que evita filhos por métodos não aprovado pela Igreja?
São Paulo Rio Cambuí Sim 54% 51% 69% Não 47% 49% 30% Não sabe - - 1%
18 - O pecado é cometido:
São Paulo Rio Cambuí Pela mulher 6% 2% 4% Pelo homem - 1% - Por ambos 46% 47% 65% Não sabe - - 3% Não cometem pecado 47% 49% 30%
19 - O casal comete pecado ainda que não tenha meios de sustentar os filhos?
São Paulo Rio Cambuí Sim 27% 26% 22% Não 26% 23% 45% Não sabe - - 3% Não cometem pecado 47% 49% 30%
20 - Deve a Igreja permitir que os casais evitem filhos usando métodos até agora ela condena?
São Paulo Rio Cambuí Sim 18% 18% 26% Não 35% 30% 41% Não sabe - 3% 3% Não há pecado 47% 49% 30%
21 - Quando diz que evitar filhos é pecado, a Igreja está:
São Paulo Rio Cambuí Certa 44% 40% 56% Errada 56% 58% 42% Não sabe - 2% 2%
Quando surge a questão do controle da natalidade, a incerteza dá o tom geral às respostas, principalmente em São Paulo e no Rio. Em São Paulo, a diferença de opinião entre homem e mulheres é grande; na proporção de 62 contra 32, são elas que não veem pecado em evitar filhos por métodos não aprovados pela Igreja. O mesmo se dá no Rio, embora seja menor o índice de divergência entre os sexos: 56% de mulheres e 42% dos homens, Em Cambuí, onde as respostas são mais homogêneas, ainda assim são as mulheres as primeiras a achar que o emprego de anticoncepcionais não é pecado; 34% delas assim opinaram contra 26% dos votos masculinos. Os cambuienses mudam de parecer quando se fala de dificuldades econômicas, nesse caso — responderam 52% dos homens — não existe pecado. Quanto ao que a Igreja deve fazer (pergunta 20), em todas as cidades as mulheres, mais que os homens assumem posição reformista. Além disso, reagrupando-se os dados, conclui-se que o grupo conservador (o casal comete pecado e a Igreja não deve mudar) é minoritário. O outro grupo (o casal não comete pecado e a Igreja deve mudar) soma 65% em São Paulo, 67% no Rio e 56% em Cambuí.
Para a maioria a ciência ajuda o homem a ser mais religioso[editar]
22 - Um filme que ataca ou ridiculariza a religião católica deve ser:
São Paulo Rio Cambuí Proibido 65% 37% 56% Permitido para maiores 23% 52% 39% Permitido para todos 9% 7% 3% Não sabe 3% 3% - Outras respostas - 1% 1%
23 - Devem os pais católicos permitir que os filhos menores leiam livros anticatólicos?
São Paulo Rio Cambuí Sim 22% 24% 10% Não 76% 76% 90% Não sabe 2% - -
No caso do filme,o que faz a média geral do Rio não acompanhar as outras é principalmente a opinião dos mais moços, dos quais apenas 28% recomendariam proibição integral.
24 - Pode a ciência ajudar o católico a saber o que é pecado e o que não é?
São Paulo Rio Cambuí Sim 76% 62% 83% Não 23% 38% 15% Não sabe 2% - 2%
25 - A ciência afasta as pessoas da religião?
São Paulo Rio Cambuí Sim 26% 27% 32% Não 73% 73% 66% Não sabe 1% - 2%
A mulher paulista é a que menos confia na ajuda da ciência, ao passo que, entre os homens, os entrevistados de Cambuí foram os que manifestaram maior índice de confiança. E são as mulheres desse mesma cidade mineira as que mais temem uma influência negativa da ciência sobre a religião.
26 - Com qual destas frases concorda? A mulher que se prostitui:
São Paulo Rio Cambuí É pecadora única e responsável pelo pecado 44% 19% 52% É pecadora, mas não a única responsável 26% 47% 16% Não é pecadora se foi obrigada à prostituição 14% 28% 22% Não é pecadora se contribui para a Igreja 14% 6% 6% Não é pecadora em circunstância alguma 1% - 1% Não sabe 1% - 3%
Sem distinção de cidade, as mulheres foram menos tolerantes que os homens: na proporção de 44% contra 32%, julgaram a prostituta pecadora e única responsável pelo pecado. E só dois votos, masculinos, apareceram em toda pesquisa para absolver a prostituta de qualquer pecado. Já a ideia de que a prostituta não é a única responsável por seus pecados foi defendida principalmente pelos cariocas de 18 a 24 anos, os quais, em maioria absoluta (53%), preferiam essa alternativa a qualquer das outras.
27 - Qual destas frases acha certa? A mulher que mantém relações sexuais pré-matrimoniais:
São Paulo Rio Cambuí Comete pecado se busca apenas o prazer 9% 9% 9% Comete pecado em qualquer hipótese 40% 30% 54% Não comete pecado se pretende casar com o homem 15% 23% 10% Não comete pecado se os dois se amam 36% 36% 27% Não sabe - 2% -
As relações sexuais pré-matrimoniais foram vistas como pecado sobretudo pelas mulheres de Cambuí (76%). Nas três cidades, as opiniões masculinas e femininas divergem: os homens tendem ema maior número a absolver a mulher. Em São Paulo e no Rio, os pontos de vista dos jovens distribuem-se largamente pelos diversas alternativas. Em Cambuí, porém, a metade deles opta pelo item comete pecado em qualquer hipótese.
28 - Qual destes pecados ofendem mais a Deus?
São Paulo Rio Cambuí Inveja 41% 30% 23% Orgulho 24% 21% 42% Avareza 16% 17% 5% Preguiça 7% 3% 2% Luxúria 5% 15% 7% Gula - - 2% Ira 5% 13% 9% Todos são iguais - 1% 9% Não sabe 2% - 1%
Evidentemente, esta é uma pergunta projetiva: ao serem solicitado a nomear entre os sete pecados capitais aquele que mais ofende a Deus, os entrevistados exprimiram seus próprios sentimentos ante sete modos de agir igualmente condenáveis, segundo a religião. Desse modo, o que dirigiu as opiniões foi a maior ou menor adesão das pessoas aos valores do catolicismo, e sim a moral social.
Os resultados são interessantes: a ira, a gula, a luxaria e a preguiça somam todas juntas, 68 referencias em 300 entrevistados — ou seja, apenas 22% dos inquiridos lembraram de citar um desses pecados. Em todas as cidades, a inveja e o orgulho foram apontados em primeiro lugar; a avareza não interessou muito em Cambuí, mas em São Paulo e na Guanabara, onde a atividade econômica - logo, o dinheiro - desempenha um papel central na vida de todos os dias, deu-se o contrário, o que não é de surpreender.
Da mesma forma, a competição que caracteriza a conduta dos habitantes das metrópoles pode explicar a predominância do pecado inveja que, significativamente, foi mencionado por um total de 41 entre os 100 paulistas ouvidos. Cambuí, por sua vez, deu preferência ao orgulho, o que se deve, possivelmente, à existência de um padrão de contatos sociais menos democrático do que o de cidade grande. Em outras palavras, embora seja reduzido o número de habitantes num município como Cambuí, a distância social entre os poderosos e a cerne simples é comparativamente maior: cada qual tem um lugar definido. Esse fato tende a ser percebido e interpretado pelas pessoas em termos de orgulho e também de inveja: o homem comum queixa-se da atitude orgulhosa dos que estão por cima; estes, por seu turno, julgam que os demais invejam suas posições. Ainda uma observação: é possível que a definição de luxúria não seja conhecida por parte dos inquiridos.
Referências:[editar]
Revista Realidade, nº 26, maio, 1968, Editora Abril, São Paulo, págs. 139-146.
Biblioteca Nacional, http://memoria.bn.br/DOCREADER/DOCREADER.ASPX?BIB=213659